• Gileade Oliveira

Pesquisadores de MT alertam que açaí, cacau e cupuaçu podem desaparecer em áreas de extrativismo

Estudo indica que mudanças climáticas ameaçam o sustento de centenas de famílias em reservas extrativistas

O desastre climático em curso ameaça diminuir, ou mesmo extinguir, produtos que são a principal forma de alimentação e sustento econômico de famílias que vivem em Reservas Extrativistas (Resex) da Amazônia Brasileira. Castanha-do-Brasil (ou Castanha-do-Pará), açaí, andiroba, copaíba, seringueira, cacau e cupuaçu estão entre as espécies nativas mais ameaçadas. Os dados são de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). A pesquisa avaliou potenciais impactos que as mudanças climáticas causarão nos próximos 30 anos nas populações tradicionais amazônicas que dependem da floresta. Os resultados indicam que, continuando neste ritmo, as regiões climaticamente adequadas para o extrativismo terão um declínio de até 91% de sua área total até 2050. As regiões mais ameaçadas são o sul e o sudeste da Amazônia, que atualmente já sofrem com queimadas, mineração e desmatamentos ilegais. Uma das principais medidas para evitar esse cenário seria “direcionar recursos financeiros para proteger as florestas em pé, com a criação de mais unidades de conservação e a proteção das que já existem”, explica Christine Steiner São Bernardo, Diretora Executiva do InstItuto Ecótono e pesquisadora da UFMT. De acordo com a autora que liderou a pesquisa, Jôine Cariele Evangelista-Vale, "a verdadeira extensão dos efeitos das mudanças climáticas na Amazônia ainda é subestimada”. Segundo ela, devido às ameaças crescentes das mudanças climáticas, “as estimativas dos impactos sobre as populações tradicionais nas reservas extrativistas ainda não foram bem compreendidas”. Pesquisa Foram avaliadas 18 espécies de árvores e palmeiras usadas para consumo próprio ou venda em 56 Resex. Para cada uma delas foram gerados modelos computacionais que avaliaram fatores climáticos históricos dos locais de onde são nativas, como temperatura, umidade e tipo de solo. Então, a partir destes dados, foram feitas projeções para o ano de 2050, considerando as mudanças climáticas previstas pelos cientistas com base nas taxas atuais de emissão de CO2. De acordo com as estimativas, as maiores perdas podem ocorrer para a Castanha-do-Brasil, com redução de 25% de sua área original de distribuição, inclusive pode se tornar totalmente extinta em nove Resex onde atualmente é extraída. Isso comprometeria a renda de 2.239 famílias extrativistas e de 410 pessoas associadas a cooperativas. Aliás, somente em 2019, foram produzidas cerca de 30 toneladas de Castanha-do-Brasil no norte do país, o que gerou cerca de U$ 23 milhões de dólares. O açaí também corre perigo e pode deixar de existir em cinco RESEX, afetando mais de 330 famílias. Além de Christine Steiner, o estudo também contou com a participação de outros pesquisadores da UFMT, como o professor Rafael Arruda e os acadêmicos Lucas Barros-Rosa e Rainiellen Carpenado.

Com informações da Assessoria - UFMT

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